Junta de Freguesia de Santa Catarina da Fonte do Bispo       





O Património   

A Junta da Freguesia e sua Sede

Foi em 1835 que o Estado Português criou, pela primeira vez, as Juntas de Paróquia, ou de Freguesia, constituindo cada uma das mesmas um corpo civil Administrativo. Mas logo em 1842, no Código Administrativo, se estipulou que as referidas Juntas seriam presididas pelo pároco, situação que se manteve até 1878 em que, novo Código, retirou aos párocos essa obrigação. 

Porém, em 1892, ou pouco antes, por efeito de um novo Código Administrativo deu-se novamente aos párocos desta vez a possibilidade de presidirem às Juntas da respectiva paróquia. Daí que, nesta Freguesia, a partir de 17-2-1887 voltasse a Junta da Paróquia a ser presidida pelo pároco, como à frente poderemos observar, situação que se manteve até à implantação da República. 

Então se decretou a Separação entre a Igreja e o Estado, não mais se permitindo que os párocos presidissem às Juntas, passando estas, em 1916, por lei, a designar-se por "Juntas de Freguesia", enquanto a palavra paróquia continuou a dizer respeito ao território administrado espiritualmente por um sacerdote na qualidade de delegado do Bispo da Diocese nesse mesmo território. 

Foi a partir da Lei de Separação (20-4-1911) que se tornou possível haver Freguesias sem Paróquia e Paróquias sem Freguesia. 

Como é compreensível, todas as instituições propendem a possuir sede própria. No caso das Juntas de Paróquia e dado que as mesmas foram durante muitos anos, desde 1842, por largos períodos, como vimos, presididas pelo pároco, o problema da respectiva sede pouco se fez sentir, visto que as reuniões se faziam, de preferência, na sacristia da Igreja paroquial, mais à mão do seu presidente. 

Promulgada a Lei da Separação, pôs-se às Juntas de Freguesia a questão de arranjarem casas para reunirem. Porém, não a possuindo, optaram, muitas delas, pela residência de um dos seus membros, enquanto outras continuaram na sacristia, como foi o caso desta de Santa Catarina da Fonte do Bispo durante largos anos, apesar do caricato. Isto se vê nas actas das suas reuniões. 
Foi somente em 1975 que a Junta desta Freguesia resolveu mandar construir um edifício que lhe servisse de sede (acta de 15-1-1975). Fê-lo por administração directa (acta de 5-2-1976). 

E nele se reuniu a Junta pela primeira vez em 15 de Janeiro do ano seguinte, 1977. Mas não se julgue que a sede da Junta desta Freguesia ficou desde logo com o aspecto que hoje tem. Oito anos depois viria a ser ampliada, segundo se lê na acta de 9-10-1985 da Junta, ampliação que terá incluído, a construção do 2.º piso onde hoje funciona o Infantário.



Igreja Matriz de Santa Catarina da Fonte do Bispo

A sua construção foi iniciada durante a primeira metade do século XVI. na elevação do povoado a sede da freguesia. No exterior da capela-mor subsistem dois contrafortes cilíndricos coroados por coruchéus cónicos idênticos aos de vários templos tardo-góticos do vizinho Alentejo. O interior segue um esquema idêntico ao aplicado pelo mestre André Pilarte na Misericórdia de Tavira, consistindo numtemplo de planta longitudinal com três naves e quatro tramos delimitados por arcos assentes sobre colunas renascentistas. Na capela-mor vislumbram-se formas do estilo manuelino nas molduras dos vãos e na abóboda polinervada. Na fachada principal destaca-se o pórtico, de recorte e composição idênticos ao do portal lateral da Misericórdia de Tavira. A sua decoração está sobretudo relacionada com Santa Catarina e com a gramática decorativa renascentista. O remate da fachada principal, com dinâmicas formas barrocas, denuncia a ocorrência de obras no templo durante o século XVIII. 
Na decoração do interior destaca-se uma belíssima tela com a representação de um Juízo Final.



Constituição do solo, flora, fauna e habitat

Nesta Freguesia, o habitat está intimamente relacionado com a constituição do solo. 

Comecemos por este: 
A parte sul da Freguesia, ou seja a que fica para sul da EN 270, é, grosso modo, de formação calcária, caracterizada pelo aparecimento à superfície, em várias partes, de grandes massas rochosas desse tipo geológico. 

Segue-se, para norte, e paralela à zona do calcário, uma estreita faixa de arenito vermelho conhecido dos geólogos como "grés de Silves", mas a que o povo chama arneiro ou pedra amoladeira. Para norte desta zona de arenito vermelho fica a extensa zona do xisto, conhecida por "Serra" pela razão de se apresentar com formas fortemente cavadas nos vales e arredondadas nos cumes. 

À zona de formação calcária se dá o nome de Barrocal e nela os habitantes têm feito desde tempos imemoriais suas plantações do pomar de sequeiro: oliveiras, alfarrobeiras, amendoeiras, figueiras e vinha, aproveitando as lavras, necessárias a estas espécies, para semearem ali também cereais e leguminosas. 

A zona do arenito vermelho ou "grés de Silves" tem sido, no que respeita à flora, aproveitada para plantação de pomares de regadio, alguns deles regados com águas pluviais recolhidas nas vertentes da Serra com que entesta. 

A Serra propriamente dita produz de tudo como no Barrocal e no Arneiro, consoante se trate de zonas esqueléticas ou de aluvião; nos serros arredondados produz trigo2 e centeio; nas portelas e junto dos córregos vê-se a vinha, a oliveira, a figueira, a alfarrobeira, em substituição da esteva que é o seu coberto natural. 

No que respeita ao habitat, que é o modo como as populações rurais se agrupam para viver, verifica-se que no Barrocal e no Arneiro é do tipo disperso, residências afastadas umas das outras, justificado pela necessidade de os fazendeiros vigiarem de perto as suas propriedades, enquanto na Serra é do tipo agrupado, residências muito próximas umas das outras formando pequenas povoações ou lugarejos, em razão de a Serra ter sido antigamente zona infestada pela ladroagem e de animais ferozes, o que implicava uma maior protecção colectiva. 

Relacionado com estas duas espécies de habitat, deparam-se-nos palavras diferentes para designar as subdivisões da Freguesia: sítios e montes. 

«Sítio» é uma determinada porção de território em que predomina o habitat disperso. «Monte» é um lugarejo da Serra, independentemente do número de fogos que o constitui, mais a área da sua influência.
 


A Constituição da paróquia entre 1881 e 1910

A indicação das pessoas que numa Freguesia rural serviram os cargos directivos da colectividade é essencial para se formar uma ideia de que famílias saíram ao longo dos tempos as elites nessa mesma comunidade. 

Criadas as Juntas de Paróquia em 1835, passaram esses órgãos administrativos a lavrar actas das suas reuniões, actas que muitas vezes, são os únicos documentos onde se pode colher a referida indicação e que, por isso mesmo, além do mais, deveriam ser preservadas sem limite de tempo. 

Aconteceu, porém, que, nesta Freguesia, desapareceram as actas da Junta anteriores a 1886. 

Daí que a relação que se segue, respeitante aos nomes dos presidentes de Junta da Freguesia, tenha início em 1881. 

De 1881 a 1886: João Manuel de Horta; 
De 1886 a 1897: Manuel de Sousa Carrusca; 
De 1897 a 1896: o Pároco, Padre João Inácio Machado 
1896: Pároco Oliveira; 
De 1896 a 1910: Pároco Apolinário; 
República 
De 1910 a 1914: Francisco Domingues; 
De 1914 a 1918: José Viegas Pires da Graça 
De 1918 a 1919: José de Jesus Madeira 
1919: Artur Horta; 
De 1919 a 1920: Alfredo Ladislau da Silva Nobre 
De 1920 a 1921: João Viegas Calvinho.; 
De 1921 a 1922: Alfredo Ladislau; 
De 1922 a 1923: João Viegas Calvinho. 
De 1923 a 1926: João António Pacheco 
De 1926 a 1928: António Maria Gomes: 
De 1928 a 1929: Vitorino Miguel. 
1929 a 1931 Joaquim Alberto Viegas. 
De 1931 a 1938 Vitorino Miguel. 
De 1938 a 1942 Joaquim Alberto Viegas 
.De 1942 a 1945 José Custódio. 
De 1945 a 1951 Joaquim Alberto Viegas 
De 1951 a 1956 Vitorino Miguel 
De 1956 a 1959 , José Miguel Francisco 
De 1959 a 1965: xxxxxx 
De 1965 a 1972 Vitorino Miguel de Jesus 
De 1972 a 1974: Alberto Santos Pereira Rocha 
25 de Abri de 74 
De 1974 a 1977: João de Jesus Estêvão, (Comissão Administrativa) 
De 1977 a 1980: José Martins Pereira, (1º executivo eleito por sufrágio universal) 
De 1980 a 1982: Manuel Policarpo da Conceição Martins 
De 1982 a 1986 Alberto Santos Pereira Rocha, 
De 1986 a 1990: Manuel Policarpo da Conceição Martins 
De 1990 a 2002: Manuel de Jesus Martins 
De 2002 a Actualidade (2007): Leonardo António Gonçalves Martins


Última actualização: 2014-04-03

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